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Gestão do Shopping Lajeado segue em disputa


Depois de perder a gestão do Shopping Gravataí na semana passada, dessa vez o M.Grupo se vê sob risco de perder o último centro comercial que restou em sua carteira, o Shopping Lajeado. Na sexta-feira, a Justiça chegou a conceder liminar aos lojistas nomeando um interventor para a administração do shopping. A decisão, porém, acabou sendo revogada poucas horas depois.

Segundo o advogado César Walmor Bublitz, que representa a Associação dos Lojistas do Shopping Lajeado, a liminar foi solicitada pelos comerciantes por conta do que entendem como uma situação de emergência. "Entramos com a liminar em função de alguns fatores urgentes, principalmente a inadimplência com a fornecedora de energia elétrica e a falência de parte do grupo", argumenta o advogado.

Em relação à luz, as empresas ligadas ao M.Grupo - Global Malls e M.Asia, que administram diretamente o shopping - conseguiram um acordo com a RGE Sul para parcelar os atrasados. A prestação que vencia em fevereiro, porém, só foi paga, porque os lojistas se cotizaram e adiantaram valores de condomínio. "Feito o pagamento, em dois dias, já veio outra conta com valores muito superiores. Como os lojistas já fizeram um esforço para adiantar esses valores, não se sabe de onde virá esse recurso", argumenta Bublitz. A conta regular do mês, à qual o advogado se refere, ultrapassa os R$ 200 mil.

A decretação da falência da Magazine Incorporações, um dos vários braços do M.Grupo, também preocupa os lojistas. Para Bublitz, por conta disso, há risco de evasão dos valores recolhidos dos comerciantes. Baseada principalmente nesses dois aspectos, a associação entrou com o pedido de liminar na semana passada, concedido pela Comarca de Lajeado na sexta-feira.

A decisão tirava o M.Grupo da administração do Shopping Lajeado e nomeava a empresa local Resolve Condomínios como interventora. No fim do dia, porém, um agravo de instrumento do conglomerado foi acolhido pela juíza de plantão, suspendendo a decisão inicial. Os lojistas têm agora 15 dias para justificar a solicitação de urgência, e, como o agravo foi aceito em regime de plantão, o processo deve ser analisado por câmaras especializadas no assunto. "Entendemos que havia fundamentos para manter a decisão", analisa Bublitz.

Ações têm como objetivo manter o estabelecimento aberto enquanto conflito não se resolve A situação é diferente da encontrada no Shopping Gravataí, pois, no centro de compras da Região Metropolitana, quem ganhou a ação contra o M.Grupo foi a credora Ápice Securitizadora. Uma ação semelhante também corre em relação ao Shopping Lajeado a pedido de outra credora, a RB Capital Securitizadora, e se encontra na fase de avaliação. Os lojistas tomaram a frente, segundo o advogado César Walmor Bublitz, que representa a Associação dos Lojistas do Shopping Lajeado, para conseguir fazer a transição. "Buscamos uma solução temporária para conseguir manter o shopping aberto até que se defina o dono", argumenta.

O lojistas temem novos cortes de energia como o último, realizado antes da cotização, onde restaurantes tiveram perdas significativas com alimentos, que estragaram sem a refrigeração. Caso obtenham sucesso, os lojistas do Shopping Lajeado podem ter os mesmos resultados de Gravataí. Por lá, segundo a advogada Eliane Fontoura Soster, que representa os comerciantes, os lojistas se encontram "felizes e satisfeitos" com a troca da gestão. "Desde sexta-feira, a nova administração reabasteceu todos os geradores com potência máxima para dar vazão aos condicionadores de ar e à iluminação dos corredores, não se economiza mais óleo diesel", diz. A substituição para a interventora Pró Overseas foi consolidada ontem, e os lojistas esperam, ainda para esta semana, a regularização do fornecimento de energia elétrica.

Em nota, a assessoria de imprensa do M.Grupo sustenta que "não há risco de corte de energia no Shopping Lajeado ou de qualquer outro serviço essencial, embora exista inadimplência condominial e de despesas específicas (energia, gás, ar-condicionado etc.) por parte de alguns lojistas, inclusive aqueles que lideram a associação (de lojistas)". A nota contesta ainda "a alegação (dos lojistas) de que algum valor pago ao condomínio do Shopping Lajeado possa ser desviado para outras finalidades".

As afirmações da Associação dos Lojistas, prossegue o documento, "não refletem a realidade do Shopping Lajeado e nem representam a opinião de todos os lojistas, especialmente daqueles que se encontram em dia com suas obrigações".

Fonte; Jornal do Comércio

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